Esgrima Medieval?

 

Quando ouvimos falar sobre arte marcial, logo pensamos em esportes de combate e artes marciais orientais como Karatê, Judô, Kung-fu, Jiu Jitsu, Muai Thai, Tae Kwon Dô, e tantas outras mais. Mas, se o termo “marcial” tem origem no deus greco-romano da guerra, aonde estão as artes marciais européias? Neste último século, a maioria do ocidente esqueceu de sua rica tradição marcial.

Todos os povos da antiguidade desenvolveram técnicas de combate, podemos notar semelhanças em muitos estilos mesmo estando a milhares de quilômetros de distância pois afinal há um limite de maneiras de como uma pessoa pode causar dano a uma outra pessoa. Por exemplo, podemos ver técnicas européias do século XIV muito similares a japonesas embora estes povos se encontraram alguns séculos posteriores. 

Na Europa, os registros mais antigos de técnicas de combate são das pinturas e estátuas gregas e de historiadores romanos como Vegetius e sua obra De Rei Militari. Após este período temos manuscritos das sagas heróicas dos povos germânicos, iluminuras com alguns exemplos bem rudimentares de indumentária ou técnica militar.

Embora não possamos confirmar historicamente, podemos notar, por meio de tradições posteriores, que técnicas de combate faziam parte do dia-a-dia de todos os povos da região. Muitos destes estilos sobreviveram até hoje, alguns com mais, outros com menos influências externas ou adaptações ao período vigente. Podemos citar o boxe, esgrima como artes conhecidas mundialmente, algumas conhecidas apenas por artistas marciais como luta greco-romana, catch-as-catch can, savate, Lancashire, back-hold, cornish ou collar-and-elbow wrestling, e algumas apenas praticadas em pequenas comunidades como a Galhofa, Gouren, Glima, Schwingen, Buza, Strumpa, Trinta, lucha canaria, lotta campidesa, jogo do pau, la canne, shilleagh, bastone siciliano, garrote venezolano, makhila e tantos outros mais.

A maioria destas artes regionais preservaram apenas os aspectos esportivos ou foram adaptadas para uso civil, já que as técnicas de combate corpo-a-corpo perderam popularidade no campo de batalha graças ao advento da pólvora e nas mudanças das táticas militares.

Apesar de em séculos anteriores alguns praticantes como Alfred Hutton pesquisarem e tentarem resgatar estas artes antigas, as artes marciais como técnicas de combate corpo-a-corpo só voltaram a se popularizar na Europa e América após a introdução das artes orientais no ocidente no começo do século XX, sendo um grande exemplo o Bartitsu, uma mescla de artes ocidentais e orientais. Mais tarde, após as grandes guerras e mais ainda na década de 60, surgiu um novo orientalismo no ocidente e muitas artes orientais se espalharam com muito mais facilidade por toda a Europa e América.

Artes estas que foram preservadas devido à diversos fatores, enquanto que na Europa esta prática praticamente se extingue no período das revoluções burguesas pois representavam o “antigo regime”. Mas, nestas últimas décadas, com o globalização do entretenimento e divulgação da história européia por meio da literatura, filmes, RPG e por último, vídeo-games, gerou-se um grande interesse pela armas, armaduras e técnicas marciais destes período.

Por sorte, muitos destes sistemas de combate sobreviveram em manuscritos que datam desde o século XII,  e agora, graças à internet, pesquisadores e praticantes no mundo inteiro podem ter acesso à estes manuais e estão trazendo essa arte de volta à vida.

Nosso grupo tem a missão de ajudar este rico universo também ser pesquisado e praticado no Brasil promovendo esta rica herança de nossos antepassados.